quarta-feira, 9 de abril de 2014
quatrodejulho.doc
Respeitem minhas dobraduras
Minhas bolhas de ar
Elas guardam o que é possível guardar da vida
Existir é demonstrar o cuidado com o passado.
Dentro de mim há ares de dez anos
Sobras de tempo, resquícios de tudo
Representação das coisas vividas, memórias presentes
Locais e não localizadas.
sexta-feira, 28 de março de 2014
que é pra apagar
Rasgue aquela foto.
Ela parece uma ponte daquelas que levam nada a lugar nenhum
Que não se quer cruzar
Nem saber o que tem do lado de lá.
Quebre esse caminho.
Eles só servem pra serem seguidos
E este jamais será o seu destino.
Não precisamos derramar sob os outros
O nosso desprezo
o nosso veneno
a nossa pretensa superioridade.
Deixe-os.
Não faça questão de ser.
segunda-feira, 17 de março de 2014
daquilo que continua... OU um abraço, um chamego.
Andei sonhando com a tua mãe, garota.
Ela estava perto, precisando de você.
Mas estava feliz. Como quem come uma mangaba sem saber que fruta é.
E mesmo assim consegue ser feliz.
E ver lindeza nas coisas do mundo,
sejam elas feias ou belas.
Te acalma, garota.
Estive pensando que talvez devêssemos pegar um barco
e buscar os descaminhos da vida,
estar em um lugar que não precise de mais nada (nenhum artifício) para nos deixar contentes.
Satisfação é o estado de equilíbrio entre você, eu e o mundo.
Ou o mundo e nós.
Sejamos satisfeitos.
Espera satisfeita, garota, acalma teu coração (por que tudo passa).
Talvez sejamos nós mais que irmãos.
Ela estava perto, precisando de você.
Mas estava feliz. Como quem come uma mangaba sem saber que fruta é.
E mesmo assim consegue ser feliz.
E ver lindeza nas coisas do mundo,
sejam elas feias ou belas.
Te acalma, garota.
Estive pensando que talvez devêssemos pegar um barco
e buscar os descaminhos da vida,
estar em um lugar que não precise de mais nada (nenhum artifício) para nos deixar contentes.
Satisfação é o estado de equilíbrio entre você, eu e o mundo.
Ou o mundo e nós.
Sejamos satisfeitos.
Espera satisfeita, garota, acalma teu coração (por que tudo passa).
Talvez sejamos nós mais que irmãos.
quarta-feira, 12 de março de 2014
domingo, 16 de outubro de 2011
Cartas que eu não mando.
Não vou dizer que sinto muito ou que me arrependo de não ter interferido nos rumos que as histórias tomaram. Não me sinto responsável, muito menos culpada. Sinto falta dos nossos passatempos e de como, um dia, eles foram suficientes.
Não tive a oportunidade de te falar que o caminho pelo qual você escolheu andar, certamente eu não escolheria (como se isso fosse fazer alguma diferença), mas inúmeras vezes te olhei daquele jeitinho peculiar, meio de lado, meio escondido, na esperança de que você escutasse o que eu não queria dizer com todas as palavras, mas sobretudo entendesse o meu silêncio.
Vejo que não serviram os meus olhares-esperançosos-ingênuos.
Tenho por você um amor calado, guardado, daqueles que não precisam de insinuações e externalizações melosas, gosmentas e pegajosas.
Quando eu, carinhosamente, beijo sua cabeça e pergunto como você está, é verdadeiramente colocando para fora o que eu sinto; não é aquele tipo de cumprimento "tudo bem?", que na verdade não faz a mínima questão de ouvir sua resposta. Não é um mero cumprimento de formalidades!
Eu me importo com você, com quem machuca você, com quem se aproxima de ti para o bem, para o mal, ou simplesmente por nada.
Me preocupo com você como uma irmã mais velha, ou como uma amiga que durante muito tempo foi tua companheira de aventuras, mas que agora se resume a um contato próximo.
Peço desculpas se alguém passou despercebido pela minha guarda e chegou até você, te feriu e foi embora... De todo coração, gostaria de ter impedido! Até se fui eu mesma que ultrapassei as barreiras do previsto e te magoei... Desculpas!
Só quero te dizer que o tempo as vezes nos mostra coisas que não queremos ver; as vezes ele ressalta aquilo que as circunstâncias não nos deixam enxergar, mas isso não é necessariamente ruim. Aprenda a ver aquilo que o fator tempo tenta te mostrar. Se as coisas não vão bem por este caminho, tente outro. Talvez um dia você se encontre, ou se perca de vez...
Sinceramente, só não quero ver escondido esse sorriso que é apenas seu.
P.S.: Eu espero sinceramente que não haja reconhecimento da parte de ninguém que resolva ler. São cartas que eu não mando, nem mandaria.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Laços

Às vezes paro pra pensar e me pego tendo devaneios de como será minha vida daqui há alguns anos. Queria não pensar nisso, mas é inevitável.
Hoje penso que a vida é toda uma questão de reciprocidade, questão de trocas que nos são convenientes. A nossa vida é a reflexão das relações que construímos, as que mantemos. É a troca que acontece em todas essas relações. Tudo aquilo que doamos e o que conseguimos arrecadar; os momentos que a gente vive, incluindo os que fazemos questão de lembrar e os que fazemos questão de esquecer. De todas as formas, o que nós somos e o que podemos ser nunca depende exclusivamente de nós. Nunca é uma construção avulsa, alheia, ou seja, todas as pessoas do seu convívio constroem com você tudo aquilo que você é!
Na prática, todo esse processo é tão mecânico que nem nos damos conta.
Penso no quão importantes foram as pessoas na minha vida para a construção do que eu sou hoje. E como tudo seria diferente caso elas não tivessem dividido a mágica da vida comigo. Me dou conta, nessa horas, das pessoas importantes que se foram, das que eu ainda conhecerei, dos laços que eu preciso reforçar e alguns que preciso desatar.
Nada fácil.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Mapa Lunar
A Lua chegou como ventania
Abriu a porta
E espalhou suas malas pelos cantos
Tinham alças e cheiravam a morangos silvestres
A Lua deitou na Relva e cochilou comigo
Depois riu e voltou a dormir
Acordou e já era tarde
A chuva se esgueirava tentando encobri-la
Eu, como se fosse o Sol, buscava sempre ajudá-la
De dia, conduzia-a ao seu destino
À noite, me retirava para que ela tomasse de conta do meu
E depois de uma semana
A Lua abre a porta
E como estrela cadente parte
Eu volto a qualquer telhado
(Rodrigo Vaz)
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Abriu a porta
E espalhou suas malas pelos cantos
Tinham alças e cheiravam a morangos silvestres
A Lua deitou na Relva e cochilou comigo
Depois riu e voltou a dormir
Acordou e já era tarde
A chuva se esgueirava tentando encobri-la
Eu, como se fosse o Sol, buscava sempre ajudá-la
De dia, conduzia-a ao seu destino
À noite, me retirava para que ela tomasse de conta do meu
E depois de uma semana
A Lua abre a porta
E como estrela cadente parte
Eu volto a qualquer telhado
(Rodrigo Vaz)
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Fiquei extremamente radiante ao receber esse poema como presente, resolvi compartilhá-lo!
Passei algum tempo na casa de Rodrigo, nos casamos e nos divorciamos em questão de dias.
Sete dias, mais precisamente. A partir disso, me sinto tão próxima, tão íntima dele, que não me furto à oportunidade de homenageá-lo. E fico mais feliz ainda ao saber que a porta da sua casa estará sempre aberta à mim.
Passei algum tempo na casa de Rodrigo, nos casamos e nos divorciamos em questão de dias.
Sete dias, mais precisamente. A partir disso, me sinto tão próxima, tão íntima dele, que não me furto à oportunidade de homenageá-lo. E fico mais feliz ainda ao saber que a porta da sua casa estará sempre aberta à mim.
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